segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

Ejercito Despierta!

Em uma audiência criminal, chega o momento em que o juiz faz perguntas ao réu quanto à sua pessoa. O objetivo das indagações é saber o histórico de vida daquele indivíduo, constatar se tem família, se estudou e etc.

Na extravagante maioria dos casos, o perfil do réu é o mesmo.
Alguém que nasceu e cresceu em um núcleo mais propício para o crime.

Uma menina chupava dedo até os 5 anos. O pai dela, já preocupado, pensou em tomar uma atitude radical para que aquilo cessasse. "Vou engessar as duas mãos dela, para que assim, inevitavelmente, ela pare" - pensou.  Antes de agir, foi falar com a pediatra da criança que opinou que ele não agisse dessa forma, pois correria o risco de sua filha sofrer traumas relacionados à perda no futuro.

Um réu, numa daquelas audiências, tinha 16 anos e quando era criança passou fome. Nunca soube sobre seu pai, viu sua mãe se prostituir todos os dias com vários homens por R$ 10,00 que, no lugar de comida, eram convertidos em crack.

Uma menina, um réu, eu.
Eu pensei: Uma menina de 5 anos pode sofrer graves consequências psicológicas em razão de ser obrigada a parar de chupar dedo. E um menino de 16 anos, com esse histórico de vida? Quais as consequências psicológicas?

O fato é que ninguém se pergunta isso, porque a resposta incomoda quem acha que é matando que resolve.
E ainda há a premissa "Direitos humanos só para humanos". Que humano pensa assim, pelo amor de Deus?
Se você acredita que um menino como esse está fora do sistema, da sociedade, do mundo, que ele não é humano..
E você? É o que? Você que nasceu com casa, comida e roupa lavada; que abre a boca pra dizer que "há pessoas que passaram fome e nunca roubaram". Sim, há. E eu admiro. São excepcionais.
Quando você abre a boca pra dizer: "eu nunca faria o que esse menino fez". Você não é esse menino. Olha sua casa, sua cama, seus amigos, seus pertences... Sua realidade: Realmente, você não faria. Você, não ele. Você não é ele.

A revolta maior em relação à violência deveria recair sobre o corresponsável pela situação em que nos encontramos hoje: O Estado.
Há estudiosos que chegam a defender, em determinadas situações, a absolvição de um réu POR INEXIGIBILIDADE DE CONDUTA DIVERSA. Ou seja, não tinha como ser diferente, não tinha como agir de outra maneira. A falta de inclusão nos mais diversos setores sociais, como saúde, lazer, assistência e educação, formou aquele ser HUMANO (SIM, MIL VEZES HUMANO), moldou uma pessoa para a prática de determinadas condutas.

Por favor, por tudo, não me venha falar em redução de maioridade penal como solução.
Eu coloquei o caso do menino de 16 anos propositalmente para poder falar também que, na minha opinião, se ele for para o cárcere privado brasileiro atual só lhe sobram duas opções: morrer ou sair pior.
Você, super-humano, talvez espera que ele morra.
Eu desejo que você retire toda a concentração daí e coloque no Estado.
Dizer que a lei é fraca? Lá, na fraqueza de 1988, diz uma premissa bem rasteira: "Todo o poder emana do povo, que o exerce por meio de representantes eleitos ou diretamente, nos termos desta Constituição".
Foi mal, mas quem é mesmo o fraco?
É, povo.. 2014 não vai deixar de ser o ano com muitos feriados, nem o ano da Copa, nem o ano do cavalo e nem o ano de eleição.
O problema é do país, mas falando especificamente de Fortaleza, as manifestações tinham quase parado.
Foi só um fogo para tanta gente e eu odeio observar isso.
Não vamos deixar isso morrer.
A mídia, sempre tão dominante, parou de falar sobre o assunto.
Eles perguntam o que você espera do último capítulo da novela ou quem você deseja ver no BBB nº mil.
E você, cegamente, não fala em outra coisa a não ser na novela e no quanto está caro para blindar seu carro do ano, mas você tem que blindar,
afinal, Fortaleza está "sem condições, viu, aff".
Não sejamos tão rasos.

Voltemos para as ruas!



Raquel

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Palavras-chave

Humano, humanidade, humanização.. Essas palavras sempre me remetem a bondade, filantropia, consciência, Ser. 

Mas a gente sabe que se tratando do Homem as coisas não são tão bonitas assim. Nós, seres humanos, somos naturalmente bons e ruins. 

Não sou seguidora do discurso maniqueísta. Ainda acredito que cada um tem um pouco de cada e um mais de um. Isso é consequência da criação que tivemos, do instinto que há dentro de cada um e do caráter que fomos formando ao longo de nossa caminhada. 

O fato é que cada ser humano é único e o que é bom pra mim pode ser ruim pra você. Há pessoas que ficam inconformadas com o estilo de homem que gasta não-sei-nem-quanto de dinheiro em um carro de som e faz desse equipamento um filho que grita um determinado estilo musical. 

Eu não gosto. Ele gosta, ele ama. Eu não entendo. Não, não mesmo. Ele entende.

A verdade é que eu não preciso entender nada, você não precisa entender nada. Se ele entende e está realizado, tudo bem, tudo certo. Cabe a mim e a você apenas respeitar.

Respeito é a palavra chave dessa vida.

O respeito desencadeia mil outras virtudes e solidifica qualquer tipo de relação. Eu não preciso concordar com você para respeitar sua opinião, sua decisão, seu estilo e seu modo de agir. Eu demonstro as minhas opiniões, decisões, estilo e modo de agir e você não precisa concordar comigo para me respeitar.

Mas o ser humano é naturalmente bom e ruim, como consequência da criação que teve, do instinto que há dentro de cada um e do caráter que foi se formando ao longo da caminhada... E a gente desrespeita, a gente machuca, é machucado, erra, tropeça, bate, apanha, chora, ri, perdoa.

Perdão é a segunda palavra chave dessa vida. 

Perdoar é uma virtude que poucos fortes tem. É uma decisão que se transforma em sentido.Você não acorda perdoando. Você decide perdoar. E quando você perdoa, você desapega. Você fica livre.

Liberdade é a terceira palavra chave dessa vida. 

Ser livre é poder ir e vir quando e para onde eu quiser, da maneira que eu quiser, sem me prender a nenhum rótulo ou imposição social. É ser quem eu quero ser, estar com quem eu quero estar, é satisfazer a minha vontade, que você vai ter que respeitar.

Respeito é a palavra chave dessa vida.

Raquel - Novis 2014! Rsrsrs