terça-feira, 24 de dezembro de 2013

e 2013 foi assim

Deu um faniquito louco de falar/escrever sobre esse ano turbulento, então resolvi reativar esse blog amado e saudoso.

2013 foi um ano de mudanças, literalmente. E, junto com essas mudanças vêm alegria, felicidade, expectativa, medo, frustração e saudade, muita saudade.

Sempre fui uma pessoa com sede de vida, de gente, de novidade, de mudança, de mundo... talvez minha origem interiorana do sertão explique isso. Desejei muito e fiz por merecer essas mudanças. Foram dias e noites de dedicação e uma ansiedade sem tamanho, além de planos, planos e mais planos. Queria mudar, mudar de cidade, de atividade, mudar e vida. Pois bem, consegui! Tudo conforme o planejado. Mas, mesmo no planejado, sempre vêm as coisas fora de contexto, aquilo que você não planejou, mas que inevitavelmente faz parte da mudança. Foi um começo difícil, cidade nova e grande onde você conhece meia dúzia de pessoas espalhadas no tecido urbano, tende a te pregar umas peças. Era tudo meio desesperador, cada pequeno problema se transformava na coisa mais cabeluda do mundo, ainda mais comigo que tenho uma leve tendência a ser dramática. Sim, sou dramática, faço de um probleminha um problemão mas, por ter essa plena consciência, sei a hora de parar e pensar pra frente e encarar o problema sem olhar pra trás. Eu nunca olho!

Passado os primeiros baques, o desespero de não ter um ombro amigo, daqueles ali pra todo momento, que segura suas pontas, resolvi que tinha que parar de reclamar e de chorar, tentar não viver em função da saudade e encarar a selva de pedras com todos seus encantos que também amedrontam. Nunca gostei de sentir medo e resolvi que não iria começar a alimentar isso beirando os 30. E sempre tive problemas com falta de adaptação e de intimidade, por isso resolvi que iria logo criar intimidade e me adaptar a essa cidade.

Sempre fui uma pessoa de muitos e bons amigos. Como se diz, tenho amigos para todos os gostos. Isso era o que mais me doía, a falta deles. As mesas de bares que não eram mais frequentes e enormes, o telefone tocando 864327790 vezes ao dia, a ponto de me irritar, as noitadas que podia ter péssima música, zero paqueras, ser uma furada, mas que se estava com eles já era diversão garantida, um ombro amigo pra reclamar, outro pra chorar, outro pra rir e outro pra mangar, um pra falar de peido e outro pra falar de política. Mas aí, como diz essas frases de diário de adolescente: quando você se abre para o mundo, o mundo se abre para você. E foi assim, quase simples assim. Aos poucos, ou na medida que fui permitindo, São Paulo foi se abrindo para mim e me surpreendendo. Fui me abrindo pra essa cidade que sempre tanto me encantou e aceitando tudo de bom que ela tinha pra me oferecer. Meu Ceará que nunca me desampara também me deu alguns presentes em forma de amigos por aqui e o mestrado também foi tratando de colocar gente bacana no meu caminho e lá também tenho feito ótimos amigos.

O mestrado, ah o mestrado, real motivo da minha vinda para cá. Lembro do primeiro dia de aula, saí com uma enxaqueca dessas que só tenho em momentos de tenebrosa ressaca. Um professor tocando o terror, querendo mostrar o quão não sabíamos de nada e éramos indignos da matéria dele. Mas sou cearense e desisto é porra. Fiquei, me matei de estudar, AMEI a matéria e me saí super bem nas avaliações e com mais conhecimento. Esse mestrado me encanta a cada dia, a cada leitura. É um conhecimento profissional e pessoal diário. Mas também me inquieta, me perturba, me enlouquece, me faz achar que o mundo não tem solução. Mas aí são outros quinhentos.   

Agora estou eu aqui, sozinha no fim do ano em uma cidade ainda estranha e fazendo várias reflexões sobre esse ano que está no finalzinho. Mas uma amiga cearense vai salvar minha vida na noite de natal e uma amiga paulistana vai me levar pra badalar depois. E o réveillon, ah o réveillon, acho que serei abduzida em São Thomé das Letras – MG.

Diante de tantas reflexões, cheguei a mais uma frase de diário de adolescente: marés calmas não fazem bons marinheiros. Então é isso, que em 2014 continuemos a aproveitar as turbulências da vida para nos tornarmos melhor, sempre em frente e sempre pensando e agindo para deixar uma contribuição para esse mundo, pros que estão e pros que virão.

Não vou falar sobre natal, porque acho natal um caos, com todo esse consumismo absurdo e desnecessário. E também porque a pessoa passa anos sem escrever aqui e quando escreve quer bem dizer escrever a dissertação de mestrado.


Um beijo, gente e um 2014 com os desejos que estou levando para minha vida: o que for justo e necessário. 

Larissa!