domingo, 8 de maio de 2011

Eu e Eu(!)


" Tenho lá meus pânicos
Meus desânimos
Meus desencontros
E descaminhos
Tenho
Não nego
Mas também
Não me apego."

Paula Taitelbaum


Sei quem é Lacan porque enfim, minhas amigas amigas psicanalistas sempre falam dele, mas agradeço a ele por  ter criado a teoria da "libertação da busca infinita de uma vida sem sintomas." Obrigada querido! rsrsrsr...não te conheço mas já comecei a ir com a sua cara!

No fundo, isso nada mais é do que a teoria do desapego!  Existe algo  mais aliviante do que aprender a conviver com seus sintomas? Todos temos questões e estas são inesgotáveis mas quando andamos de mãos dadas com elas , estas se tornam estimulantes! Tenho que ficar amiga ainda de muitas coisas dentro da minha cabeça caixolinha, mas as que fiz eu posso garantir como depois disso nunca me deixaram na mão. Meu medo de altura enfrentado no vôo de asa delta se transformou em lindas aulas de tecido aéreo e trapézio! Todo dia no tecido dá uma aflição, mas eu digo(penso!) : Calma mente querida, não se preocupe, eu estou com você! hehehe...é uma viagem mas dá certo!

Sei que ainda tenho que fazer amizade com muitas questões minhas, outras parte de mim, talvez, nunca irão com a minha cara! E ai, tomara que daqui pra lá, quando eu desencanar, eu já entenda que não posso ser perfeita! kkkkkk

Enquanto isso vou me desbravando...me vendo, sentindo, ouvindo, provando e meditando. Porque o mundo do lado de fora é estimulante, mas o mundo do lado de dentro é surpreendente!

Como diz meu também ,não íntimo, mas querido Carl Jung:
"Quem olha para fora, sonha. Quem olha para dentro, desperta."

Beijos,
Rully

quarta-feira, 4 de maio de 2011

Amigos, Amores e Paixões

Hoje acordei meio melancólica ou meio nostálgica. Quem sabe não os dois?!
Esse clima chuvoso tem o poder de fazer isso comigo. Comecei a pensar em um monte de coisas que já vivi e um monte de gente que já conheci. Engraçado isso, fiquei pensando em quantas pessoas realmente já “passaram” pela minha vida, amores que acabaram, paixões que não se eternizaram, amigos que o tempo e essa vida louca afastaram.
Amores, ah os amores... recentemente uma amiga me recomendou dois filmes, “Antes do Amanhecer” e  a continuação dele, “Antes do Pôr-do-Sol”, nesse segundo, acontece um diálogo entre os personagens e ela – Julie Delpy – fala a seguinte coisa para ele – Ethan Hawke: “(...)As pessoas tem um caso, ou até relacionamentos, terminam e esquecem tudo. Muda como trocam de marca de cereal. Sinto que não esqueço as pessoas com as quais estive porque cada uma tem qualidades específicas. Não dá pra substituir ninguém. O que foi perdido, está perdido. Cada relacionamento que termina me magoa(...)Tenho obsessão com pequenas coisas. Talvez eu seja louca, mas, quando eu era menina, minha mãe me disse que eu sempre chegava atrasada à escola. Um dia, ela me seguiu para saber o motivo. Eu ficava vendo as castanhas caírem das árvores e rolarem na calçada ou as formigas atravessarem a rua ou a sombra de uma folha num tronco de árvore. Coisas pequenas. Acho que com gente é igual. Vejo pequenos detalhes específicos de cada coisa que me comovem e sinto saudades deles depois. Não se pode substituir ninguém porque todo mundo é uma soma de pequenos e belos detalhes(...)” Me identifiquei muito com essas palavras, sinto que cada um é insubstituível e o que eu vivi com cada amor pertence a esses amores, àquele momento e isso nunca sairá de mim. Até a parte de quando criança chegar atrasada à escola, me identifiquei, acontecia comigo de muitas vezes chegar atrasada, porque na minha cidade pequena do interior, eu ia à escola a pé e ia observando as fachadas das casas, principalmente as que tinham jardins, coisa rara nas casas do Cedro e, por serem raros, me encantavam muito. Acho que era arquiteta desde criança. E quanto aos amores, ah os amores... cada amor tem um lugar especial na minha vida. Tem aqueles bem próximos a quem sempre é possível expressar o quanto afeto e carinho eu lhes dedico e tem aqueles que, sendo mais distantes, nem sabem que ainda possuem um lugar todo especial na minha vida e no meu coração.
E as paixões, ah as paixões... sou adepta das paixões avassaladoras, aquelas que faz tremer as pernas, gelar as mãos e o coração quase saltar pela boca... acho maravilhosa essa sensação. E como já fui feliz com tantas paixões, felicidade que não cabia dentro de mim. E como já chorei, e como... lembro de já ter chorado um dia inteiro, no mesmo lado da cama, em posição fetal. Minhas tristezas e decepções com paixões sempre se curam com um bom banho, aquele que você vai vendo a água escorrer no ralo e levando qualquer tristeza que possa ter ficado e na sequência desse bom banho, vem um bom porre. No final, sempre também me resta a saudade da época, mesmo que essa tenha sido sofrida. E os “frutos” dessas paixões, geralmente se tornam meus amigos, bons amigos.
Os amigos, ah os amigos... como diz a Rapha, “com qual tribo vai sair hoje?” hahahaha... Tem gente que gosta de bicho, né?! Eu gosto de gente e gosto muito. Sempre tive muitos amigos, amigos mesmo. Modéstia a parte, sempre fui boa em fazer e conservar. Nunca fui de poucos e bons amigos, sou de muitos e bons. Acho que preciso dos dedos das mãos e dos pés e, talvez, ainda me falte dedos, para contar os amigos. Como diz a Rapha, são varias tribos mesmo. Gosto disso, de ter amigos pra ir do “luxo ao lixo”. Tem também aqueles que fizeram parte de uma época da vida mas que, por algum motivo, acabaram por se distanciar, mas que conservam um lugar especial na vida e no coração. Como diria Oscar Wilde:  
“(...)A mim não interessam os bons de espírito nem os maus de hábitos.
Fico com aqueles que fazem de mim louco e santo.
Deles não quero resposta, quero meu avesso.
Que me tragam dúvidas e angústias e aguentem o que há de pior em mim.
Para isso, só sendo louco(...)                                                                                                                                                            Tenho amigos para saber quem eu sou(...)”
Beijos,
Laris!
Jeri 2008 - Não lembro de quem é o crédito da foto.

segunda-feira, 2 de maio de 2011

No sertão do Ceará

Hoje, o Pedro e eu estávamos vendo umas fotos de uma viagem que fizemos para o sertão do Ceará, em novembro do ano passado. Essa viagem foi, como diz a Carol, muito ótima. Foi nossa turminha da faculdade e nosso mais queridíssimo professor “Clewtis”, que nos deu uma verdadeira, real e maravilhosa aula de história e patrimônio sobre o sertão cearense.
Chegamos em Quixaramobim, nossa primeira noite de estadia, no dia das eleições de segundo turno para presidente. Éramos só expectativa na vitória da Dilma. Porém, não conseguimos entender quando, mesmo depois do resultado, a lei seca ainda permanecia naquele local. Éramos 8 - seria melhor se fôssemos 13, mas na verdade éramos 9 contando com Seu Edilson, motorista de risco que nos levou - loucos para tomar umas cervejas e jogar conversa fora. Resultado: juntamos as merrecas de cervejas existentes nos frigobares de cada quarto - no caso 3 quartos - e nos reunimos no quarto onde estavam Dora, Carol e eu e ficamos tomando aquela miséria de cerveja. O mais bizarro de tudo isso foi que em frente ao nosso quarto estavam hospedados alguns policias federais e alguém, que não lembro quem, bateu na porta deles pensando ser nosso quarto. Depois da meia noite, quando já podia beber, saímos parecendo presos que acabaram de ser libertos, a procura de um bar pra encher as 8 caras, e aí nos deparamos com a realidade interiorana, onde tudo fecha cedo. Fizemos uma negociação com o dono de um bar – se não me engano, o nome do bar era "Trezão" – e ficamos com as garrafas de cerveja para devolver no outro dia.
Essa viagem ainda nos levou à Quixadá (na verdade, nosso primeiro destino), Cedro (meu Cedro) e Icó. Foi uma viagem muito divertida e de muito conhecimento e aprendizado e que hoje, revendo as fotos, me bateu uma saudade melancólica e uma vontade de outra viagem dessas.
O sertão do Ceará tem lugares belíssimos e de grandes potencialidades. Recomendo à todos, arquitetos ou não, uma viagem pelo nosso sertão.
Beijos,
Laris.
Como percebe-se, não sei fazer montagem, por isso essa coisa tosca aí.

domingo, 1 de maio de 2011

Vontade dá e passa?

Eu, embora nascida e tendo morado por muitos anos em uma cidadezinha do interior do Ceará, sou a pessoa mais urbana que conheço. Acho que tenho conectividade direta com concreto, trânsito, caos... embora não orbigatoriamente goste ou concorde com eles.
Por esses dias, depois de voltar da semana santa na minha cidade, ando sentindo uma vontade louca de me enfurnar em algum lugar menos caótico. Não sei se pra estudar, pensar, conhecer, fugir, viver ou simplesmente passar o tempo. Só sei que ando alimentando a ideia de me enfunar no meio dos matos, da praia, da serra ou qualquer coisa longe do caos urbano.
Talvez amanhã mude de ideia. Quem sabe...
Beijos,
Laris!
No sertão do Ceará