sexta-feira, 15 de abril de 2011

U2 360°

Sexta, dia 08 de abril de 2011. Trabalhar que é bom, nada. A cabeça voa longe tão rapidamente que a internet é irritantemente lenta demais para acompanhar meu raciocínio. Acaba o expediente, saio do banco direto pra casa para arrumar a mala. As 22h a Luisa chegará, tomaremos um vinho para compartilharmos nossa ansiedade até chegar a hora do tão esperado vôo. Destino: São Paulo. Objetivo: Assistir o show do U2.

Horas de vôo e finalmente chegamos em Campinas. Eu recebo meu primeiro presente do dia, uma pessoa muito especial me espera! =) Partimos todos pra São Paulo e o dia segue cheio de alegrias, cerveja e boas conversas.

18:30h – Hora de partirmos para o show! Dentro do táxi meu coração meio que tenta sair pela boca e eu penso: “Se eu não morrer do coração hoje, não morro nunca mais na vida de um ataque cardíaco. É muita emoção para um dia só.” Chegamos no Morumbi, um vento frio, mas nada que me faça negar uma cervejinha pra acalmar a ansiedade. Tento fazer algumas ligações, mas celular que é bom funcionar, nada. Ainda bem que no meio de 89 mil pessoas, a primeira que eu encontro quando entro no estádio é a Luciana! A “equipe” do show está fechada: Eu, Adília, Cassius, Luisa e Luciana. Vamos lá!!!

Estádio LOTADO! Procuramos, procuramos e encontramos um cantinho bacana e tranqüilo. Pouquinho tempo depois começa a banda de abertura – MUSE. E eu lá com cara de mongol olhando aquele palco enorme, aquele “mar” de gente e, só pra me certificar, vez por outra eu dizia: “Luisa, tu acredita que estamos aqui?” e ela: “Ainda, não!”.

O show! Não dá pra falar ou descrever. Nesse caso é necessário “ver pra crer”. Não é simplesmente um show de música. É espetáculo! É show no sentido mais completo da palavra. Vale a pena ver mesmo que você não goste da banda, mesmo que você não conheça a banda. É a maior estrutura de show que já existiu, é a maior banda do mundo e eu estava lá!

Ponto alto antes de começar o show - No som do Morumbi começa a tocar:

Não posso ficar
Nem mais um minuto
Com você
Sinto muito amor
Mas não pode ser
Moro em Jaçanã
Se eu perder esse trem
Que sai agora
Às onze horas
Só amanhã de manhã...”

Depois disso, U2!!!!

Ponto alto do show (parte 1): Após minha música preferida (Stuck in a Moment you can´t get out of) o Bono convida uma fã para subir no palco, entrega um papel e ela começa:

Meu coração, não sei por quê
Bate feliz quando te vê
E os meus olhos ficam sorrindo
E pelas ruas vão te seguindo,
Mas mesmo assim foges de mim...”

Resultado: Lágrimas nos olhos. Acho o MÁXIMO quando qualquer artista estrangeiro fala que é fã de algum artista brasileiro. Quando o artista estrangeiro tenta cantar ou falar em português então, eu acho ultra, mega, power o máximo (como se fosse uma mãe vendo a apresentação do filho na escola). E quando algum cantor estrangeiro diz que não conhece nada de música brasileira, eu acho que ele é um ignorante!  Tudo bem que eu poderia não ser tão radical, até porque eu não sou muito conhecedora de música, mas eu acho que, literalmente, todo mundo tem que conhecer alguma coisa de música brasileira.
Tipo assim – Se há 45 dias atrás um angolano me perguntasse se eu gostava de Kuduro, ele levaria um tapão no pé do ouvido. Kkkkkkkk Graças ao programa “Esquenta” eu já sei o que é Kuduro e não tive que bater em ninguém pra descobrir isso.

Enfim, vamos voltar ao show do U2!

Ponto alto do show (parte 2): Homenagem às crianças mortas na escola de Realengo no Rio de Janeiro. O nome das crianças subindo no telão e as minhas lágrimas descendo no rosto. O Bono pede para que todos acendam as luzes dos seus celulares e, quando eu olho ao redor, o Morumbi parecia uma grande constelação. Um mini céu estrelado. Cada celular uma vela, em cada vela uma prece!

Inexplicável!




Beijos.
Amanda Klein

segunda-feira, 11 de abril de 2011

Paixão no Terminal do Papicu

Hoje durante a aula de Patrimônio e Restauro, não sei porque cargas d’águas, me lembrei de uma vez que me apaixonei perdidamente-torrencialmente-platonicamente por um cara no prédio da Bienal, no Ibirapuera em São Paulo. Comecei a me lembrar das várias paixões loucas-torrenciais-platônicas que já tive nas estações de metrô de lá.
Tudo isso me fez ter uma vontade enorme de dar uma passeada pelo Terminal do Papicu pra ver se me apaixono perdidamente-torricialmente-platonicamente por lá também.
Mais alguém se habilita a esse passeio?
Beijos,
Larissa.
Ironias do Amor - Eles se apaixonam no metrô.

Uma manhã sem trabalho

Uma manhã de pesquisa
Café
Água
Cigarro
“Bonito pra chover”
Não vai dar tempo
Pausa para desopilar
Reforma do lado da minha casa... saco
Voltar porque, realmente, não vai dar tempo
Modo desespero

Larissa!

...

Definitivamente quanto mais eu estudo mais eu vejo que não sei de nada e mais desesperada eu fico. Domingo de estudos tem o poder de fazer isso comigo, me deixar louca, desesperada e com a sensação de burrice total e absoluta.
Andei me questionando, mais uma vez, se não seria mais fácil malhar, ficar gostosa e com tudo em cima, sair de casa para as baladas toda trabalhada no salto e no brilho, fazer caras-bocas-bicos sexy quando não souber discutir  alguns assuntos bem básicos e, com todas essas qualidades, arrumar um bom partido e virar dondoca?
Talvez seja mais fácil do que ser urbanista e arquiteta, né?!
Essa questão sempre bate, mas sempre passa. Ainda não veio para ficar :P
Beijos,
Larissa!
Imagem retirada da internet

sábado, 9 de abril de 2011

...

Ando descobrindo que honestidade plena é algo bem difícil hoje em dia.
Não estou falando que o(a) fulano(a)  não é honesto e eu sou. Estou falando de um modo geral, onde NINGUÉM é 100% honesto, onde ”você será a primeira pessoa a saber” e isso jamais acontecerá.
Larissa.

quinta-feira, 7 de abril de 2011

Bar bom é Bar ruim

Antonio Prata - Texto integrante do volume As Cem Melhores Crônicas Brasileiras, organizado por Joaquim Ferreira dos Santos.

Eu sou meio intelectual, meio de esquerda, por isso freqüento bares meio ruins. Não sei se você sabe, mas nós, meio intelectuais, meio de esquerda, nos julgamos a vanguarda do proletariado, há mais de cento e cinqüenta anos. (Deve ter alguma coisa de errado com uma vanguarda de mais de cento e cinqüenta anos, mas tudo bem).

No bar ruim que ando freqüentando ultimamente o proletariado atende por Betão – é o garçom, que cumprimento com um tapinha nas costas, acreditando resolver aí quinhentos anos de história.

Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos ficar “amigos” do garçom, com quem falamos sobre futebol enquanto nossos amigos não chegam para falarmos de literatura.

– Ô Betão, traz mais uma pra a gente – eu digo, com os cotovelos apoiados na mesa bamba de lata, e me sinto parte dessa coisa linda que é o Brasil.

Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos fazer parte dessa coisa linda que é o Brasil, por isso vamos a bares ruins, que têm mais a cara do Brasil que os bares bons, onde se serve petit gâteau e não tem frango à passarinho ou carne-de-sol com macaxeira, que são os pratos tradicionais da nossa cozinha. Se bem que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, quando convidamos uma moça para sair pela primeira vez, atacamos mais de petit gâteau do que de frango à passarinho, porque a gente gosta do Brasil e tal, mas na hora do vamos ver uma europazinha bem que ajuda.

Nós, meio intelectuais, meio de esquerda, gostamos do Brasil, mas muito bem diagramado. Não é qualquer Brasil. Assim como não é qualquer bar ruim. Tem que ser um bar ruim autêntico, um boteco, com mesa de lata, copo americano e, se tiver porção de carne-de-sol, uma lágrima imediatamente desponta em nossos olhos, meio de canto, meio escondida. Quando um de nós, meio intelectual, meio de esquerda, descobre um novo bar ruim que nenhum outro meio intelectuais, meio de esquerda, freqüenta, não nos contemos: ligamos pra turma inteira de meio intelectuais, meio de esquerda e decretamos que aquele lá é o nosso novo bar ruim.

O problema é que aos poucos o bar ruim vai se tornando cult, vai sendo freqüentado por vários meio intelectuais, meio de esquerda e universitárias mais ou menos gostosas. Até que uma hora sai na Vejinha como ponto freqüentado por artistas, cineastas e universitários e, um belo dia, a gente chega no bar ruim e tá cheio de gente que não é nem meio intelectual nem meio de esquerda e foi lá para ver se tem mesmo artistas, cineastas e, principalmente, universitárias mais ou menos gostosas. Aí a gente diz: eu gostava disso aqui antes, quando só vinha a minha turma de meio intelectuais, meio de esquerda, as universitárias mais ou menos gostosas e uns velhos bêbados que jogavam dominó. Porque nós, meio intelectuais, meio de esquerda, adoramos dizer que freqüentávamos o bar antes de ele ficar famoso, íamos a tal praia antes de ela encher de gente, ouvíamos a banda antes de tocar na MTV. Nós gostamos dos pobres que estavam na praia antes, uns pobres que sabem subir em coqueiro e usam sandália de couro, isso a gente acha lindo, mas a gente detesta os pobres que chegam depois, de Chevette e chinelo Rider. Esse pobre não, a gente gosta do pobre autêntico, do Brasil autêntico. E a gente abomina a Vejinha, abomina mesmo, acima de tudo.

Os donos dos bares ruins que a gente freqüenta se dividem em dois tipos: os que entendem a gente e os que não entendem. Os que entendem percebem qual é a nossa, mantêm o bar autenticamente ruim, chamam uns primos do cunhado para tocar samba de roda toda sexta-feira, introduzem bolinho de bacalhau no cardápio e aumentam cinqüenta por cento o preço de tudo. (Eles sacam que nós, meio intelectuais, meio de esquerda, somos meio bem de vida e nos dispomos a pagar caro por aquilo que tem cara de barato). Os donos que não entendem qual é a nossa, diante da invasão, trocam as mesas de lata por umas de fórmica imitando mármore, azulejam a parede e põem um som estéreo tocando reggae. Aí eles se dão mal, porque a gente odeia isso, a gente gosta, como já disse algumas vezes, é daquela coisa autêntica, tão Brasil, tão raiz.

Não pense que é fácil ser meio intelectual, meio de esquerda em nosso país. A cada dia está mais difícil encontrar bares ruins do jeito que a gente gosta, os pobres estão todos de chinelos Rider e a Vejinha sempre alerta, pronta para encher nossos bares ruins de gente jovem e bonita e a difundir o petit gâteau pelos quatro cantos do globo. Para desespero dos meio intelectuais, meio de esquerda que, como eu, por questões ideológicas, preferem frango à passarinho e carne-de-sol com macaxeira (que é a mesma coisa que mandioca, mas é como se diz lá no Nordeste, e nós, meio intelectuais, meio de esquerda, achamos que o Nordeste é muito mais autêntico que o Sudeste e preferimos esse termo, macaxeira, que é bem mais assim Câmara Cascudo, saca?).

– Ô Betão, vê uma cachaça aqui pra mim. De Salinas quais que tem?

Beijos,
Larissa, meio intelectual (ou metida), meio de esquerda.
Bom e velho Bar do Animal. É bom porque é ruim.

 

 

terça-feira, 5 de abril de 2011

Garota da Laje

Dando continuidade às pérolas da família, me lembrei agora de um dia que eu estava trabalhando e uma prima (parêntese para explicar um pouco sobre a prima):
Em famílias muito grandes, tipo a minha, sempre rola uma diferença financeira bem grande, né?! Chega quase a ser uma diferença social. Pois bem, eu faço parte da ala liseira, aquela que trabalha muito e ganha pouco. Essa prima faz parte da ala muito endinheirada, aquela que vive para investir na beleza e nas compras, resumindo, em como se manter sempre bela, isso inclui se manter sempre loura e bronzeada.
Pois bem, voltando ao meu dia de trabalho (todo dia ela faz tudo sempre igual). Belo dia de trabalho me liga a prima endinheirada (eu havia cortado o cabelo recentemente):
- Prima, vi uma foto dos teus cabelos curtos e gostei, porém... eles combinam com uma pela mais dourada.
Nesse momento eu não sabia se ria ou chorava. Fiquei pensando como faria para dourar minha pele de branca-de-neve-do-Cedro, encaixando na correria do meu dia a dia. E foi aí que eu respondi (em tom nada delicado):
- Prima, para conseguir dourar minha pele, só se eu começar a ir visitar os assentamentos de biquíni. Criatura, ta pensando o que, que eu vivo para a beleza, é? Eu tenho o que fazer e, aliás, preciso desligar porque estou ocupada.
E pronto, meu povo, foi isso.
Nada contra peles douradas, só acho interessante esse pensamento de que as pessoas tem a mesma vida e os mesmos interesses. Mas dou boas risadas quando me imagino dourando a pele de biquíni nos assentamentos precários que visito. A própria Garota da Laje.kkkkkkkk
Beijos brancos e acho que jamais dourados,
Laris!
Imagem retirada da internet. Essa, realmente, não sou eu.