segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Todos merecemos férias uns dos outros

Como eu já falei aqui outra vez, eu acompanho o blog do Adriano Silva, o Manual do Executivo Ingênuo (clique AQUI)! Adoro, adoro e adoro!! Queria ser amiga dele, da mulher dele, dos filhos dele...rsrsrsrs É um blog que eu leio e me ajuda a ter e manter o foco em alguns quesitos da minha vida. É bem legal, mesmo! Semana passada eu li um texto que eu amei! Hoje estou aqui atualizando minhas leituras, li novamente o texto e me identifiquei mais ainda. Resolvi dar um CTRL + C e um CTRL + V e compartilhar com vocês.

Beijos e espero que gostem!

Amanda Klein

"Há dois anos minha mulher foi visitar uma amiga que estava morando na Espanha. Passou duas semanas fora. Conheceu Madri e Barcelona sem mim. Quando me disse que iria, e eu lhe perguntei que diaa embarcaríamos, percebi de cara que uma sentença não tinha conexão com a outra. Eu estava pensando na primeira pessoa do plural. E ela, na primeira do singular. Eu me referia a uma das nossas viagens dos sonhos, fazer Espanha e Portugal de carro, e no automático me incluía no pacote. Ela deixou claro, para a minha surpresa, que aquela viagem era outra, que queria ir sozinha. E assim foi: a sua primeira viagem a lazer sem mim em quase dez anos de casamento. Ela – sem marido, sem filhos, apenas ela, deixando para trás, por alguns dias, a sua rotina, os seus papéis, os seus compromissos. Fiquei com as crianças e a babá, mais a faxineira, tomando conta da casa que é tão dela, da vida que é tão nossa. Não foi fácil digerir essa ideia e aquela situação. Lembro que eu trazia as crianças todo dia para conversarem com a mãe no Skype e realmente não me sentia bem. Cada presilha nova no cabelo dela que eu percebia era uma pequena ofensa. Cada sorriso, cada maquiagem diferente, cada roupa que eu não conhecia ou não lembrava eram uma agulhada. Era muito fácil pensar em abandono, em rejeição, em ter sido preterido. Era muito fácil sentir ciúme. Ela, afinal, ia se divertir sem mim – e, pior, minha ausência era, aparentemente, um quesito relevante dessa diversão.


Férias assim são ótimas. Mas precisamos todos de férias individuais também.


No fundo, ciúmes é isso: é ter a propriedade da pessoa, é ter a posse cativa das suas emoções, da sua presença e da sua atenção. Você não permite que a pessoa sinta, pense, aja, ria ou chore fora do seu âmbito. No fundo, portanto, ciúmes é controle. Não tem a ver com sentimento, com amor, com paixão. Ciúmes é, antes que tudo, sentar em cima, impor o seu carimbo, imobilizar o outro, garantir a hegemonia completa do parceiro por meio da força – que pode ser direta ou exercida por meio da chantagem. O que os muitos ciumentos não percebem é a seguinte e singela questão: quanto vale a presença ao seu lado de alguém que não quer de verdade estar ali?
Demorou quase dois anos para que eu trabalhasse aquele evento dentro de mim. Até que essa elaboração emergiu esses dias em forma de tese: todos merecemos férias. A mulher, do seu marido – e vice versa. Os filhos, dos pais – e vice versa. Não se trata apenas de um direito. Trata-se de um dever. A gente sacraliza essas relações familiares. E atuamos ainda como se vivêssemos num pequeno clã encravado num pequeno burgo escondido numa pequena colina europeia do século 17. Só que o nosso mundo e a nossa vida mudaram, se expandiram, se sofisticaram. Na segunda década do século 21, um break nas relações familiares, uma semana por ano que seja, é o melhor que você pode fazer para de fato sacralizar essas relações. Porque uma pausa para o respiro, uma folga dos trabalhos e afazeres, um tempo para recarregar as baterias só fazem refrescar o relacionamento. Transformam a mesmice em saudade apimentada, o enfado em tesão renovado, a rotina de que você tanto reclama em algo que você passa a enxergar de outro modo, e até a valorizar. Entre tantas coisas que minha mulher me ensinou, de modo natural e instintivo, na maioria das vezes sem ter essa intenção pedagógica, eis uma nova lição fundamental: todos merecemos férias. Todos devemos uns aos outros um pequeno tempo estratégico fora – e todos devemos esse tempo a nós mesmos. Mesmo o trabalho que mais amamos nos cansa. Mesmo a paixão mais genuína pode causar enfaro, cãibra, pletora de felicidade. Olhar para o outro lado não significa necessariamente desinteresse. Pode significar apenas a aquisição de um parâmetro melhor para alimentar a convicção do quão feliz você é por ter seu parceiro ou parceira do seu lado. Recolher-se, enfim, a um curto período de reciclagem interna não quer dizer que você não queira mais a companhia do outro, quer dizer apenas que você precisa de um momento sozinho, para em seguida voltar a andar de mãos dadas com ele ou ela vida afora. Sting estava para lá de certo – “If you love somebody/Set them free”. Eles, ou ele ou ela, voltarão. E revigorados, em dobro, com brilho renovado no olho, com nova dose de vontade. Se não voltarem, é porque já não estavam aqui antes, de qualquer maneira. E é melhor estar sozinho de verdade do que sozinho a dois. E é melhor saber que você está só do que imaginar equivocadamente que tem alguém do lado."

3 comentários:

  1. Concordo com tudo, sem tirar nem por.
    Larissa.

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  2. Maravilhoso texto amiga.. como ele soube descrever o sentido de um amor (relacionamento - seja com quem for) feliz!

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  3. ADOREI cada palavra, adorei a reflexão. Maduro, sábio, evoluido. Favoritos nesse blog!
    Adília

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