terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Quatro tipos básicos de pé-na-bunda!

Como esse blog ta mais abandonado do que mulher quando leva um pé-na-bunda, resolvi postar um texto que eu li há alguns anos, em um dos meus blogs preferidos, http://vodcabarata.blogspot.com/. Aliás, conheci esse blog por conta desse texto. Minha amiga Ju me enviou por email. Desde então sou uma frequentadora assídua do vodka barata.
O texto é meio longo, mas muita gente vai se identificar.
Beijos,
Larissa.
"Quase todos os homens com quem eu me relacionei queriam me transformar em alguma coisa. Eles olhavam e pensavam qualquer coisa sobre como eu seria muito melhor se fosse de outro jeito. "É gostosinha, mas fala muito alto. Podia ser mais discreta"; "É bonitinha, mas é muito masculinazinha. Podia ser mais jeitosa"; "É engraçada, mas é muito burrinha. Podia ser mais inteligente"; "É charmosa, mas é muito abestalhada. Podia ser mais mulherão"; "É uma garota, mas bem que poderia ter um pau"; "É feia, mas bem que podia ser bonita"; "É bonita, bem que podia ser mais feia"; "É magra, bem que podia ser mais gorda", "É gorda, custava nada dar uma emagrecidinha" e por aí vai. Nenhum deles se apaixonou por mim. Eles estavam apaixonados pela idéia daquilo que eles poderiam fazer com que eu me tornasse.

Na contagem, teve um que me queria o mais menina possível, o outro me queria mais meiga, o outro me queria mais mulher. O outro queria que eu falasse o menos possível. Sempre, todos, talhando à mão de ferro uma idealização de uma coisa que não existe. Para, no fim das contas e ao perceber que eu não sou mamulengo, dizer que eu até sou legal, mas que não sou legal O SUFICIENTE. Quando esse é o motivo do fim, existem quatro tipos básicos de pé-na-bunda:

1- Tem o pé-na-bunda-com-porém genérico, que eu costumo ouvir mais frequentemente: "Ivi, você é legal, mas blablablabla", seguido de poréns sem-pé-nem-cabeça que são fáceis de superar.

2- Tem o pé-na-bunda-com-porém Richard Gere, do tipo inconformado: "Ivi, você é ótima, mas eu preciso de alguém mais blablabla". Os Richard Gere são do tipo que terminam uma relação porque querem Uma Linda Mulher Que Largue Tudo Por Eles Que Nem a Julia Roberts Fez. Geralmente eles vão dizer que eu uso saias muito curtas, encho muito a cara ou que minha calcinha aparece demais.

3- Tem o pé-na-bunda-com-porém Fiona Apple, que eu acho até divertido: "Ivi, você é legal mas é completamente louca, eu tô com medo de você e quero que você suma da minha frente". Esses Paul Thomas Anderson vão dizer que meu ciúme é psicótico, que eu me entrego demais, que me apaixono demais, que tiro muitas fotos dele, que escrevo muitas cartas de amor, que choro demais por tudo. Em geral, eles são uns morgados apáticos que só me atraíram num momento de carência e que, depois, eu vejo como foi melhor eles terem me largado. Na maioria das vezes, são indies ou impotentes.

4- Mas tem o pior de todos os pés-na-bunda-com-porém, o que mais me dá medo, o que mais me deixa arrasada, o mais triste de todos, o que me deixa com ódio, o que me acaba com a auto-estima e me faz querer morrer por meses: "Ivi, você é maravilhosa, perfeita, incrível, não sei porque um babaca como eu pode dispensar você, o problema é comigo, não tem nada a ver com você. Mas eu não te quero mais". Esse pé-na-bunda-com-porém é foda porque:

4.1- Como assim esse idiota vem aqui se fazer de vítima, tenta dar uma alisada safada na minha auto-estima com uns elogios de merda para depois vir dizer: "tô indo nessa"?! Não preciso de esmola e se quiser me largar me largue rápido e sem balela, para doer menos.
4.2- Como é que eu não consigo fazer nem com que um imbecil desses se apaixone por mim?
4.3- Ou: por que eu não dei um fora nele antes desse otário vir acabar comigo?
4.4- Por último: se eu sou tão maravilhosa, amigo, por que você VAI ME DEIXAR?!??!?! Aí vem o momento não, não, por favor, não faça isso, eu juro que vou melhorar, eu vou te fazer ver que você não tem problema algum, querido, que você não é um babaca, eu vou ser melhor para você, eu vou consertar a sua vida todinha e, quando você se tornar uma pessoa relaxada com você mesma, você vai me amar ainda mais. SONHA, tontinha, SONHA.

Primeiro porque, se ele não me largar nesse momento, eu vou ficar cagada para sempre, tipo preciso-de-você-senão-eu-morro e ele vai tirar vantagem disso. Ou, contando com a possibilidade dele mudar de idéia e ficar comigo, depois, quando o meu "plano perfeito" funcionar e ele realmente se sentir menos bosta, a primeira coisa que ele vai fazer é usar toda auto-estima dele que eu recuperei para me largar e arrumar o outra.

O mais sábio é: aceitar o pé-na-bunda com dignidade. Seja por quais forem as razões de um bofe não me querer mais, o simples fato do cara mencionar que não quer mais ficar comigo já significa que ele sequer merece desfrutar de minha companhia. Eu não vou perder meu tempo tentando convencer alguém que sou legal o suficiente para que ele decida ficar comigo. Que eu sou legal é óbvio, e É PARA SER óbvio – se o boyzinho não sacou, tchau para ele.

Mas, sim, tem aquele tipo de Bofe que te larga sem ficar balelando uns poréns, Bofe de verdade com B maiúsculo. Que chega diz: óa, tô indo nessa. Eles podem até gastar hoooras com suas razões, mas nunca vão tentar lustrar meu ego com elogio de supermercado. Nunca vão ficar fazendo a linha vítima, nem a linha que se auto-esculhamba, nem vão me esculhambar gratuitamente. Vão dizer a verdade – a forma mais simples de se dispensar alguém.

Obviamente, existem vários tipos de pé-na-bunda (o da gaia, o da furada-de-olho, o de mudança-de-vida-que-não-inclui-você, o da gaia que VOCÊ botou, enfim...).



E fiz esse arrodeio todinho porque queria dizer que, independente da razão, enfim, quem interessa são os que se mantém leais até na hora de me chutar. Esses, esses viram meus amigos. O resto é lixo." Por Adelaide Ivánova
                                                 Imagem tirada do google.

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