terça-feira, 5 de outubro de 2010

O nosso mal-estar amoroso, por Contardo Calligaris

Deve ter uns 15 dias que minha irmã me mandou o texto abaixo. Quando comecei a ler foi inevitável aparecerem determinados pensamentos que eu resolvi colocar em vermelho junto ao texto.

O nosso mal-estar amoroso, por Contardo Calligaris

Na semana passada, graças ao IBGE (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio, migre.me/1hb92), aprendemos que, em média, no país, há 105 homens solteiros por cada cem mulheres com o mesmo estado civil.(dos quais 40 são gays, 20 são bi, 15 são malas e 10 estão meio enrolados)

Claro, em cada Estado a situação é diferente. (no Ceará tá “black”. Já falei sobre isso aqui.) No Distrito Federal há mais solteiras do que solteiros, no Rio de Janeiro dá empate (eu sempre digo que o Rio é um suuuuucesso) e Santa Catarina é o paraíso das mulheres (122 solteiros por cada cem solteiras) (Santa Catarina é uma boa opção para o reveillon??). De qualquer forma, no Brasil como um todo, é impossível afirmar que “faltam homens no mercado”. (o Calligaris deve morar em Santa Catarina)
A Folha, na última quinta (9/9), entrevistou algumas mulheres; uma delas comentou: pouco importa que haja mais homens do que mulheres, o problema é que os homens, depois de um encontro ou dois, dão “um chá de sumiço”. Ou seja, pode haver muitos homens, mas eles só querem pegação. (na grande maioria das vezes isso é verdade pq como está faltando homens e a oferta de mulheres é grande, aí eles deitam e rolam)
No domingo passado, um leitor escreveu à ombudsman do jornal para protestar: segundo ele, quem não quer nada sério são as mulheres, que são “fúteis e fáceis”, (algumas realmente são) salvo quando o homem começa “a conversar sobre algo sério”, aí ELAS dão o tal chá de sumiço. (desconheço algum caso que o cara seja interessante fale algo sério e a mulher caia fora. Não vamos confundir o cara interessante com o cara pombão ou nerd ou os dois juntos)

Em suma, faltam homens ou mulheres? E, sobretudo, números à parte, quem está querendo só pegação: os homens ou as mulheres? (quem nasceu primeiro, a galinha ou o ovo?)

Acredito na queixa dos dois gêneros. Resta entender como é possível que a maioria tanto dos homens quanto das mulheres sonhe com relacionamentos fixos e duradouros, mas encontre quase sempre parceiros que querem apenas brincar por uma noite ou duas. Se homens e mulheres, em sua maioria, querem namorar firme, como é que eles não se encontram? (Como? como? como? Ó Deus! como pode????)

Haverá alguém (sempre há) para culpar nosso “lastimável” hedonismo - assim: todos esperamos “naturalmente” encontrar uma alma gêmea, mas a carne é fraca. (sei demais o que é isso!! Eu te amo mas tenho um mundo pra descobrir antes de ficar com você para sempre. Já chegaram a dizer na minha cara que se fosse possível me congelariam para me encontrarem depois de alguns anos de curtição. Cara de pau!)

Homens e mulheres, desistimos da laboriosa construção de afetos nobres e duradouros para satisfazer nossa “vergonhosa” sede de prazeres imediatos. (concordo!)
Os ditos prazeres efêmeros nos frustram, e voltamos de nossas baladas (orgiásticas) lamentando a falta de afetos profundos e eternos. (concordo! Deprê pós balada é de lascar! Um vazio dos infernos da pedra.)
Obviamente, esses afetos não podem vingar se passamos nosso tempo nas baladas, (como diz a Larissa: “Amanda, vamos voltar pra casa pq as pessoas interessantes estão em casa lendo um livro ou vendo filme”) mas os homens preferem dizer que é por culpa das mulheres e as mulheres, que é por culpa dos homens: são sempre os outros que só querem pegação.
De fato, não acho que sejamos especialmente hedonistas. E o hedonismo não é necessário para entender o que acontece hoje entre homens e mulheres. Tomemos o exemplo de um jovem com quem conversei recentemente:
1) Com toda sinceridade, ele afirma procurar uma mulher com quem casar-se e constituir uma família. (e eu procuro um homem! Onde esse rapaz mora?)
2) Quando encontra uma mulher que ele preze, o jovem sofre os piores tormentos da dúvida: será que ela gostou de mim? Por que não liga, se ontem a gente se beijou? Por que ela leva tanto tempo para responder uma mensagem? (ele tá meio desesperado. Eu não to assim não, graças à Deus!)
Essa mistura de espera frustrada com desilusão é, em muitos casos, a razão de seu pouco sucesso na procura de um amor, pois, diante das mulheres que lhe importam, ele ocupa, inevitavelmente, a posição humorística da insegurança insaciável: “Tudo bem, você gosta de mim, mas gosta quanto, exatamente?” Se uma mulher se afasta dele por causa desse comportamento, ele pensa que a mulher só queria pegação. (Eu não quero mais conhecer esse rapaz. Só de ler isso já to ficando sufocada! Não gosto de homem carente!)
3) Quando, apesar dessa dificuldade, ele começa um namoro com uma mulher de quem ele gostou e que também gostou dele, muito rapidamente ele “descobre” que, de fato, essa nova companheira não é bem a mulher que ele queria. (ele precisa de uma psicóloga, urgente!!!)
4) Nessa altura, o jovem interrompe a relação, que nem teve tempo de se transformar num namoro, e a mulher interpreta a ruptura como prova de que ele só queria pegação. (Normal! O cara primeiro demonstra que você é “A MULHER” e depois “descobre” que não era assim.)
Esse padrão de comportamento amoroso pode ser masculino ou feminino. Ele é típico da cultura urbana moderna, em que cada um precisa, desesperadamente, do apreço e do amor dos outros, mas, ao mesmo tempo, não quer se entregar para esses outros cujo amor ele implora. (É verdade! Quase ninguém quer seguir numa via de mão dupla!)
Em suma, “ficamos” e “pegamos”, mas sempre lamentando os amores assim perdidos, ou seja, procuramos e testamos ansiosamente o desejo dos outros por nós, mas sem lhes dar uma chance de pegar (e prender) nossa mão. Esse é o roteiro padrão de nosso mal-estar amoroso.
Para quem gosta de diagnóstico, é um roteiro que tem mais a ver com uma histeria sofrida do que com o hedonismo. Concordo! As pessoas geralmente criam escudos pq passaram por algum relacionamento traumático e não querem mais sofrer por ninguém. Como conseqüência, assumem o papel de garotão ou garotona e juram para si diante do espelho quase que diariamente que nunca mais farão “papel de besta”. Daí, inicia-se uma “guerra” entre sexos, medindo forças pra mostrar quem manda em quem. Na verdade, ninguém manda em ninguém, e nem deveríamos querer mandar em ninguém além de em nós mesmos. Para nós solteiras e solteiro, desejo boa sorte na “busca”!

Beijos,

Amanda Klein

3 comentários:

  1. kkkkkkk é isso aí, amiga!Mandou bem!rs

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  2. kkkkkkkkkkkkkk
    Me identifiquei em várias partes.
    Larissa!

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  3. kkkkkkkkk...bolei de rir! Os teus comentários em vermelho deram todo o charme!
    Beijos

    Rully

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