domingo, 29 de agosto de 2010

Transgressão.

Impossível nos dias de hoje não pensar, repensar e re-repensar a respeito das regras socias que nos são impostas e sobre como devemos lidar com elas...
Acatar, baixar a cabeça, ser só mais um corpo presente no mundo ou discordar, brigar, lutar por aquilo que se acha justo? Com certeza a segunda opção! Mas ai vem outra pergunta: E como lutar? Como conseguir se impor?
O radicalismo, agressões verbais e até corporais nunca me encantaram. Pelo contrário, acho que isso nunca dá certo e o tiro sempre sai pela culatra: Os lutadores viram “vândalos”...
Bem, toda essa minha opinião dada foi para dividir aqui com vocês, um texto de um colega e instrutor de yôga, Rômulo Justa, que é psicologo e tem um blog que é digno de ser lido e relido SEMPRE!
Com a licença Rômulo, vou colocar seu texto aqui...

Sobre a Transgressão.
Relendo um texto genial do meu amigo Marco Carvalho, instrutor de Curitiba, fiquei com vontade de falar um pouco sobre este assunto fascinante.

Sempre fui atraído pela transgressão, pela subversão. Contudo, hoje em dia tenho uma concepção totalmente diferente da que tinha quando mais jovem.

Transgredir não é necessariamente se opor, contradizer, desafiar violentamente. Isto só atraia forças repressoras que serão tão violentas quanto mais forte for a força transgressora.

Ora que curioso: aqueles que querem subverter, em geral, fazem questão de deixar bem claro seu desejo de contradizer. Expõem isso em camisas, portam bandeiras, gritam palavras de ordem... E se revoltam (justificadamente, ok) quando sofrem algum tipo de opressão. O que eles esperavam em troca? Sorrisos e fogos de artifício?

Na verdade, este tipo de subversão, de tão visível, chega até a ser previsível, daí ser tão fácil reprimí-la. Quem, realmente, se importa com passeatas, intervenções, buzinaços, gritarias? Se você, como eu, cursou faculdade pública, sabe bem do que falo...

Agora, há um outro tipo de transgressão, muito mais profunda e sutil, que vale a pena abordar. Ela é muito utilizada na ancestral filosofia comportamental que embasa o Método DeRose.

Ela ocorre quando decidimos fazer algo que nunca antes tivemos coragem de fazer: sair de um emprego, mudar o (ou de) relacionamento afetivo, romper com o padrão de expectativas sobre você ou outra pessoa, quebrar regras insossas que tolhem nossa liberdade e sensorialidade... Mas sem que ninguém perceba!

Esse é o grande trunfo da transgressão que pratico, que provoca uma catarse de efeitos ultrabenéficos ao psiquismo. Há o prazer e a delícia de transgredir, mas sem os olhares recriminadores ou invejosos que buscam lhe reprovar. Basta discrição.

Como disse o próprio Marco, se recusar a ser só mais uma pessoa fútil e se negar a ter roupas de marca, carro do ano, novas bugigangas tecnológicas da moda, ser só mais um rostinho ou corpinho bonito, nem mesmo ligar para dinheiro, bem, isto é até uma atitude louvável. Tenha certeza que muitos saberão que você não curte tais coisas e te julgarão de acordo com esta percepção.

Agora, ter roupas de marca, carro do ano, rostinho e corpinho bonitos, bugigangas tecnológicas da moda, ligar para dinheiro e, mesmo assim, não ser fútil e, discretamente, utilizar todos estes meios para viver a vida do seu jeito e não jogar o jogo do senso comum, cara, isto é transgressão pura! E ninguém percebe!

Ser educado, em nosso contexto, é uma transgressão, mas ser incisivo quando esperam floreios, também;

Do mesmo modo que cultivamos a disciplina, devemos nos esmerar em cultivar a arte de romper todas elas, temporariamente, nos momentos certos. Com discrição.

Gente, o Método DeRose é o método que engloba o SwaSthya yôga, a linha de yôga que pratico, e dentre várias coisas ela prega uma sociedade matriarcal, sensorial e desrepressora, bem diferente da nossa atual que é patriarcal, antisensorial e repressora!!!

Beijos

Rully

4 comentários:

  1. rsrsrsrsrs Tá ótimo!

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  2. Rolha, adorei o texto! perfeito! Tô até pensando em fazer Yoga! SÉRIO!!!

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  3. Rolhildass.. muito legal viu!! Assunto anteriormente já falado e pensado :). Tá na hora de outra prainha pra aprofundarmos!! Beijos

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